Este blog foi criado para relatar as situações de assédio moral vivenciadas durante os 21 anos em que atuei como educadora na Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto.

Através dele, publicarei documentos e relatos sobre as ações das pessoas que destruíram projetos benéficos para uma comunidade e a minha carreira de funcionária pública.

Neste espaço, também divulgarei informações para que outros trabalhadores possam compreender o que é o assédio moral, como agem os assediadores e como defender-se de suas ações destrutivas.

Se você também sofreu situações de assédio moral, envie o seu relato. Vamos trocar informações e discutir formas de evitar que outros educadores passem por situações semelhantes!

8 de novembro de 2015

Nos últimos dias, participei de três encontros que, através de estudos teóricos e relatos de experiências, têm revelado a crua realidade do cotidiano laboral no serviço público. 

Em mais de 60 horas de palestras, depoimentos, debates, com espaço para
todos que quisessem se pronunciar, o tema ASSÉDIO MORAL foi abordado sob o ponto de vista jurídico, da saúde, da psicologia e da administração, no III Congresso Iberoamericano Sobre Acoso Laboral y Institucional e IV Seminário Catarinense de Prevenção ao Assédio Moral no Trabalho, realizados no período de 08 a 11 de outubro, em Florianópolis SC, no II Seminário - Assédio Moral: Estado, Poder e Assédio, realizado em 04 de novembro, na cidade de Porto Alegre RS e na Discussão sobre Assédio Moral nas Escolas, organizado pelo SINPRO – Rio Preto, no dia 07 de novembro.

A realização destes eventos foi provocada pela necessidade de resolver os casos de constrangimentos e humilhações vivenciadas no ambiente de trabalho. Esta realidade tem levado assediados a buscar socorro em instâncias além dos sindicatos, a criação de ouvidorias e associações específicas, além da organização de encontros para promover uma discussão ampla e aberta sobre este tema.

Os discursos de todas as áreas foram amplos e convergentes. Em linhas gerais, os especialistas acreditam que o surgimento e/ou acirramento do assédio moral no serviço público acontece no momento em que se transfere para esse setor a mesma lógica do setor privado, que é baseada no lucro, no cumprimento de metas de trabalho e no controle da produtividade. Outro consenso é de que não são os mais frágeis psicologicamente que são mais afetados, mas sim aqueles mais comprometidos com o trabalho.

Muitas dúvidas surgiram em relação a como identificar e caracterizar o assédio moral, o qual conceitualmente é “qualquer conduta abusiva, manifestando-se, sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma pessoa, por em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho” (Marie-France Hirigoyen).

Existe consenso na sugestão de que sejam formadas comissões multidisciplinares nos locais de trabalho para ajudar a identificar os casos, os quais posteriormente deverão ter o encaminhamento sugerido pela comissão. A importância de denunciar e buscar ajuda de advogados, médicos e psicólogos, o quanto antes, também foi colocada nos encontros.

Especialistas alertaram ainda para o fato de que o assédio moral muitas vezes acontece porque conta com a conivência de algumas pessoas do grupo que não se mostram solidárias com o colega por medo de sofrer retaliações, daí a necessidade de haver união entre os servidores para o combate a esse mal que tem levado pessoas ao abandono do trabalho, a doenças crônicas e até à morte. A luta consiste ainda em impedir que o assédio moral vire uma prática comum no meio laboral, ou seja, passe a fazer parte dos novos modelos de gestão.



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